quinta-feira, 5 de julho de 2012

Gilson Filho


Eis o depoimento de Gilson Filho, mantenedor do espaço Santa Rosa e do grupo Ribeirão em Cena. O depoimento está presente em meu livro "Viver Cinema: o Cineclube Cauim e seus trinta anos de História" que foi lançado oficialmente na 12° edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, no último dia 29 de maio.



DEPOIMENTO GILSON FILHO – 06 de fevereiro de 2012







Eu tenho um pouco de dificuldade com datas. 30 anos atrás, quando conheci o Cauim, eu era repórter da EPTV, que, na época, era TV Ribeirão. Eu vim para Ribeirão Preto para trabalhar no Diário de Notícias; eu vim de São Paulo, naquela época, para trabalhar no Teatro Ribeirão-Pretano da Universidade de São Paulo – TRUSP – que era dirigido pelo Ivanir Pessoti. Fui convidado para fazer um trabalho como ator e acabei ficando na cidade, porque, além de tudo, eu era jornalista e já trabalhava. Sou natural de Espírito Santo dos Pinhais. Eu acredito que o Cauim estava em seu início; fui trabalhar no Diário de Notícias e depois fui para a EPTV, depois de um ano de fundada. Eu já conhecia o Cauim pelas pessoas que dele faziam parte: o Paulo Camargo, o Kaxassa, o Tupi, o Fernando, o Canário... E eu comecei a me aproximar deles primeiro como repórter. Na época o cinema ficava na Rua Lafaiete, 374, e eu era pautado pelas matérias de Cultura. Uma relação muito forte de amizade, de acreditar no projeto que eles apresentavam à época. Só que isso durou pouco tempo, porque depois de três anos vendo-os direto e trabalhando voluntariamente na divulgação das atividades deles, eu fui transferido para Campinas. Sempre os acompanhei de longe. Entre idas e vindas, o meu vinculo maior com o Cauim vem de 11 anos atrás, quando eu voltei para Ribeirão Preto pra trabalhar na Rede Família de Televisão, que tinha uma sede local dirigida pelo Rubem Volpi, jornalista, e lá eu criei junto dele um programa jornalístico e aconteceu um fato extraordinário à época, que me fez querer abandonar minha carreira de jornalista e me dedicar única e exclusivamente ao Ribeirão em Cena. Pra entender isso, eu preciso contar uma historinha...

Eu trabalhava como repórter; fazia um programa jornalístico completamente irresponsável, criado pelo Volpi, em que a gente imitava o Ratinho. Na época, Ribeirão Preto enfrentava um momento de extrema violência. Há 11 anos, ocorreram 74 homicídios no intervalo de um ano, envolvendo jovens entre 16 e 22 anos, em sua maioria. Era uma guerra de gangues, dividindo dois bairros e havia homicídios em massa. Existia o jornal do Wilson Toni, o Verdade, que chegou a noticiar os homicídios por número. Eu era repórter policial. Um dia, no período da tarde, eu fui cobrir um acontecimento na Avenida Brasil e chegamos lá, o garoto nos chamou – tinham assassinado um motorista de caminhão – e perguntou quem era o repórter responsável pelo jornal. “Ponha na capa do jornal que fui eu que matei”, ele disse. Nessa hora, a gente percebeu que o jornalismo que estávamos fazendo era um que gerava mais violência. Voltei à redação às três horas da tarde – me lembro como se fosse hoje – e pedi demissão. Saí em busca de parceiros para criar projetos de inclusão sócio-cultural. Fui bater na porta do Cauim. Inicialmente, fomos para a Favela Jandaia, depois, para uma loja do Ipiranga. Na favela, os traficantes nos expulsaram; a loja era pequena demais. Daí, cheguei ao Cauim e naquele momento eles estavam criando o Templo da Cidadania. O Ribeirão em Cena, na verdade, veio ganhar o nome depois. Ele nasceu como Cooperativa de Teatro Cauim e permaneceu assim durante três anos. Havia uma gestão conjunta; construímos o primeiro espetáculo, que se chamava O Óbvio Ululante (uma adaptação de ‘Perdoa-me por me traíres’, do Nelson Rodrigues) e naquele momento o Templo foi ficando pequeno. Depois o Kaxassa me disse que havia um espaço na Rua Lafaiete e corremos atrás de alugar o espaço.

Fomos até o prefeito, que na época era o Palocci, e, coincidentemente, naquele dia, ele recebia o Maurílio Biagi. Quando chegamos lá, o prefeito nos apresentou dizendo que tínhamos projeto que talvez interessasse ao empresário. De lá, nós viemos para cá, identificamos o proprietário do prédio que estava abandonado e o Maurílio foi lá e alugou o espaço. O Ribeirão em Cena é filho legitimo do Cauim. Nasceu de um fato, um problema social, que logo foi abraçado pelo Fernando Kaxassa e pela diretoria do Cauim na época.

O teatro vem antes do jornalismo. Eu saí da minha cidade para estudar no teatro de São Paulo, na Escola de Artes Dramáticas, que na época não era da USP, era do Dr. Alfredo Mesquita; como se fosse uma entidade não-governamental, e eu prestei vestibular e entrei. Era um curso técnico, equivalente ao segundo grau. Eu precisava fazer uma universidade e já estava com meus pezinhos dentro do Jornalismo. Eu cheguei a São Paulo em 1968, o ano da Repressão, o ano do Teatro Brasileiro, o ano do Movimento Estudantil. O primeiro lugar que conheci ao chegar a São Paulo com 17 anos foi o Teatro de Arena. Fui para o Teatro Anchieta também; onde fui trabalhar. Todo o movimento teatral girava em torno da Praça Roosevelt, que era onde existia tudo. Ali, eu devo a minha formação política – que é mais importante que a minha formação artística –; sempre fui filiado a partidos de esquerda; sou comunista e a minha formação artística vem de todo esse momento da história nacional.

Exatamente foi essa perspectiva que me fez ficar próximo ao Cauim; mesmo porque um dos primeiros eventos que o Cauim realizou e se tornou inesquecível foi quando ele conseguiu trazer para Ribeirão, por um período de dois ou três dias, o Luis Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. Nós tivemos esse contato direto com ele, o maior sonho da minha vida era conhecê-lo e, depois de muitos anos, eu ainda tive a sorte de receber um prêmio Herzog das mãos dele. O Cauim é a ligação do artístico visceralmente ao político.

No Brasil, trabalhar nesta área artística, cultural, é muito difícil. Não é só com o Cauim ou com o Ribeirão em Cena. Muitas das dificuldades que temos até hoje são resolvidas pelo Cauim, porque somos ligados até hoje. Nós fazemos parte da ‘roading’ Cauim, porque ele é um coletivo.

O Ribeirão em Cena tem um fator que o diferencia um pouco do Cauim. É um privilégio, porque conseguimos aprovar na Câmara Municipal um convênio sem época para terminar. O Cauim é um cineclube e o Ribeirão em Cena é uma escola de teatro. A vocação do Ribeirão em Cena é oferecer oportunidades para os artistas locais – a formação de Artes Cênicas para a pessoa que não tem condições de pagar uma escola. Está no processo de ser reconhecida pelo MEC... Por esse convênio, a prefeitura paga o salário dos nossos professores, e o resto, a gente se vira. Não dá para fazer um comparativo de dificuldades; a nossa dificuldade é que nós só temos os salários dos professores. Nós somos uma ONG, e o que é uma ONG senão uma entidade do terceiro setor que cumpre de graça as obrigações que o governo tem que cumprir e não cumpre, ganhando pra isso? A gente faz de graça o que o governo ganha pra fazer e não faz. O terceiro setor substitui o Estado nas suas obrigações legais. Quem deveria dar cinema de graça? O governo. Quem teria que dar a oportunidade para cem jovens neste setor do qual faço parte? O governo. A gente apanha porque o governo não nos oferece os recursos necessários. Então, a prefeitura oferece para nós os salários dos professores. Temos as outras coisas, como papel, apostilas, telefones, aluguel, consertos de máquinas quebradas, manutenção de toda espécie, água, funcionários... Quando nós fechamos a porta do Ribeirão em Cena, hoje, nós gastamos, por dia, 300 reais. Tudo isso tem custo.

Aqui funciona de segunda a segunda, das 8 às 22 da noite. A nossa dificuldade são várias. Não é nem do ponto de vista institucional, político, mas mais a elite empresarial de Ribeirão Preto, que tem uma visão muito conservadora; uma visão capitalista selvagem. Todas as ONGs poderiam oferecer e divulgar melhor seus serviços se os empresários optassem pelas leis de incentivo fiscal que o governo tem. Existe a Lei Rouanet, que desconta uma parte do imposto de renda. O governo federal fez a parte dele; o governo estadual criou o PROAC – só que os empresários não têm o menor interesse nisso. Eles preferem continuar levantando os muros de suas casas, colocando cerca elétrica, do que chamar os contadores para investir. 54 milhões pagaram de ICMS no final do ano e não ficou nem 0% para Ribeirão Preto. Os contadores não têm um mínimo de responsabilidade social. O contador não faz essas coisas, porque diz que dá muito trabalho gerar um boleto na internet – eu ouvi isso! A Darcy Vera, no começo do governo dela (pergunta isso ao Kaxassa), nos chamou e falou: ‘Vamos fazer um café da manhã, vamos chamar o Sindicato dos Contabilistas; chama o Golfeto da ACI, o Maurílio Biagi, o Nelson Rocha Augusto. Eles vêm e dão uma palestra para os contadores para que eles percebam as vantagens – eles investem em marketing cultural, o que significaria que o dinheiro retornaria pra eles’. A resposta foi ‘Não faça, porque não nos interessa. Os contadores já têm muita dor de cabeça’.

O que nós oferecemos aqui? Em dez anos nós já formamos mais de 2500 jovens, gratuitamente. Em que outro lugar eles teriam oportunidades como essas? Na praça da esquina, agora, existe um monte de jovens fumando maconha. Não estou dizendo que os nossos jovens são marginais ou que eles fumam maconha; quando nós abrimos as vagas no começo de cada ano para preencher cem vagas, geralmente aparecem trezentos, por aí. São 40 horas semanais de aula, com sete disciplinas. Hoje nós temos sete professores. A prefeitura só paga quatro deles. O restante, os professores tiram parte de seus salários para pagar os demais. O professor de Teoria Musical e o de Canto; mais os de dança de rua... Se tivéssemos essa lei Rouanet e as pessoas depositassem, eu poderia atender aqui 400 jovens por mês. Outro projeto que fizemos juntos, o do Espaço Cênico Débora Duboc e o Circuito Canarinho – fechou. Nós não tínhamos dinheiro pra pagar o aluguel. O cara ta derrubando o prédio pra virar estacionamento. A gente atendia cem alunos para o Curso de Iniciação; mais nove núcleos (e cada núcleo com 20 pessoas). Hoje, nós só temos um espaço. Como fazemos?

Nos últimos dez anos em que estou empenhado no projeto do Ribeirão em Cena, eu vi Ribeirão Preto crescer muito. Quando abrimos o projeto, o Ribeirão em Cena funcionava numa favela e o Cauim sequer tinha uma sala de cinema. 90% dos grupos que estão atuando na cidade, hoje, saíram daqui. Nós formamos um público que representa 43,8% dos que vão ao teatro na cidade. O Cauim, hoje, tem um dos maiores cinemas do Brasil, com um dos maiores projetos do Brasil. O movimento teatral em Ribeirão Preto cresceu muito; os grupos que saíram daqui estão trabalhando. São dezenas de grupos. Muitos são profissionais que foram cursar as maiores faculdades do país e estão voltando para dar aulas, por exemplo.

O pior ano para o Ribeirão em Cena foi o de 2011, foi o ano que ele mais encolheu: nós perdemos o Espaço Débora Duboc; não conseguimos contratar novos professores; tomamos um toco do Ministério da Cultura; estamos processando a D. Ana de Holanda no MPF. Nós perdemos o espaço em decorrência da irresponsabilidade da Ministra da Cultura. Em 2009, representantes do Ministério vieram para cá e nos encheram a bola em participar de um concurso. O projeto foi aprovado com o prêmio de 50 mil reais, para que montássemos seis espetáculos. Recebemos metade desse valor para que realizássemos o que seria a Nona Mostra de Teatro do Ribeirão em Cena. Começamos a gastar um dinheiro que a gente não tinha, porque o projeto saiu no Diário Oficial, e queríamos fazer algo maior. Cheques pré-datados, boletos bancários e dinheiro do nosso próprio bolso. Quando foi no Natal de 2010, o Diário Oficial publicou que 96 ONGs que participaram deste projeto não poderiam receber os prêmios, pois não tinham entregue as documentações conforme especificado no edital. A política do Juca Ferreira, que contemplava as ONGs, morreu. A Ana de Holanda mudou tudo, acusou o prêmio de ser não-artístico; porque artistas são os atores da Globo. Essa é a visão que essa filha da puta tem. Ela quis participar da Feira do Livro e nós fizemos a manifestação para que não viesse. Daí ela revogou o prêmio, o que não prejudicou somente a nós, mas a todos. Ela e outro rapaz de Ribeirão Preto, ligado a ela, o Galeno Amorim, que deixaram toda essa palhaçada acontecer. ONG não pode ter nome sujo. A meninada vendeu pizza, fez rifa, fez shows, tudo pra conseguir pagar essas despesas. O IPTU também estourou; a gente teve que renegociar o valor; da noite pro dia tivemos que desembolsar cinco mil reais para a Secretaria da Fazenda, e parcelamos a dívida em 24 vezes, o que significa que ficarei um bom tempo pagando o espaço que nós não temos mais. Aí é que mora o equilíbrio: nós nunca produzimos tanto como no ano passado. Foram três peças que estrearam; quatro que voltaram a cartaz; promovemos um festival de cenas curtas; um curso de dramaturgia; trouxemos da Dinamarca o Eugênio Barba e a Julia Valle, que deram uma oficina de três dias aos alunos, fomos indicados ao Festival de Curitiba... Fomos pra França, no começo do ano, para a Universidade de Sorbonne... Alunos que sequer tinham saído de Cravinhos pisaram na França pela primeira vez! E, no entanto, foi o ano que a gente mais se fudeu.

Hoje eu abro pra quem quiser a minha conta corrente e a do Ribeirão em Cena. Não temos um tostão, um puto. Nós sobrevivemos de quatro empresas: Coca-Cola, Independence Veículos, Doces Santa Helena e Maurílio Biagi. A família Biagi é fundamental. São as pessoas que tem consciência e dividem esses valores entre as várias vertentes artísticas que existem na cidade. Em Ribeirão Preto hoje não passam de dez empresas aquelas que conseguem investir através da Lei Rouanet. Campinas investiu um bilhão de reais no ano passado, e Ribeirão Preto nem um milhão. Essas pessoas que acham que a cidade é a capital da cultura só consideram cultura aquilo que é divulgado pelo Teatro Pedro II. Nós temos um público fidelíssimo aqui. Nós sobrevivemos aqui por causa do Gilberto Abreu. Independente de ser vereador é um cara que está presente em nosso dia-a-dia: faz seminários, palestras... O ano passado o Gilberto fez uma emenda de 50 mil reais, dividida em doze prestações de 4600 reais para que paguemos o aluguel. O fundamental não é essa questão capitalista. O fundamental é a presença intelectual do Gilberto Abreu, por isso não tenho como esquecer ele. Um dia eu ainda escrevo um livro com todas as estórias do Gilberto, que me contaram e que eu vi: passeatas com estudantes... Quando eu o encontro, eu o chamo de Salvador Abreu. Se não fossem essas emendas, nós não estaríamos em pé.

Uma coisa que me incomoda muito é eu deixar o meu lado artístico para viver todo este lado de gestão; que é uma coisa que eu não sei fazer. Eu ainda não encontrei um Santo Odônio, como o Kaxassa. Ele mexe com cinema e eu, com teatro e com jornalismo; não sabemos fazer planilhas. Olhando pra trás, o que nós fizemos, o que o Fernando fez, porque sou um discípulo dele, é uma obra extraordinária, e por isso, não é reconhecida. Se o Kaxassa tivesse feito ‘ai, se eu te pego’ ele estaria famoso. É uma obra extraordinária que incomoda. Tudo tem que ser tirado à fórceps. Essas forças da elite empresarial, que não têm a menor responsabilidade social, são forças que estão aí. Hoje essa elite é muito pior, porque é subliminar, ela é muito mais maquiavélica; maçônica. Não pensar, consumir. É uma farsa a gente pensar que vamos sair desse buraco, nós vamos estar sempre comendo merda aqui. Vendendo carro; deixando de pagar aluguel de casa para pagar aluguel de teatro, e por aí vai. A nossa briga é contra um dragão muito forte e invisível. Eu tenho a minha missão: ela está ligada a uma posição política que eu assumi quando tinha meus 16 anos. Eu sou comunista. Já passei por vários partidos e pedi demissão de todos. A minha participação no Ribeirão em Cena é extremamente política e ideológica; é oferecer oportunidades para a moçada e abrir as cabeças deles. Ser ator exige força de vontade. Todo ator é politizado. Tratamos do cotidiano das pessoas; não tem como ser diferente.

Eu não trabalho em palco tem uns bons 15 anos. Profissionalmente eu trabalhei em grandes Companhias de teatro, fiz ‘Um Bonde Chamado Desejo’; trabalhei com o Nuno Leal Maia; o Toni Ramos; o Marcos Plonka... Fui profissional em São Paulo por uns dez anos; depois a minha filha nasceu e eu precisei sair de São Paulo pelos problemas de saúde dela; fui pra Campinas e virei diretor. Hoje, quando muito, dirijo uma peça por ano. Hoje sou mais administrativo e produtor em decorrência dessas dificuldades que a gente atravessa. No momento em que você chegou pra entrevista, eu estava estudando uma porra chamada Economia Solidária para que não corramos o risco de fechar. Imagine só, eu, um cara ligado ao cultural, tendo que me virar com termos de economia. Tenho que ficar o dia todo aqui, buscando solução, me humilhando, pedindo esmola. Vou levar 27 pessoas para Curitiba agora, preciso de, no mínimo, 20 mil reais. É ajuda de custo pra moçada; eu tenho que arrumar isso agora. É essa merda. A gente poderia estar aqui, estudando texto e tudo, mas a gente faz planilha de custo. Já pensei em parar várias vezes; inclusive nesse momento. Eu não acho que esteja com saúde pra segurar essa peteca; tem dois anos que não consigo tirar férias... Estou com 61 anos. Temos um projeto importante, reconhecido internacionalmente, e, no entanto, temos que vender rifa de camisa de jogador de futebol. Não é uma merda?

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