sábado, 19 de dezembro de 2009

Pessoas

Neste ano e meio de paralisacão, alguns amigos meus chegaram até mim e me perguntaram qual o motivo de eu ter parado de postar no meu antigo blog (eu sei, é passado, mas acabarei me reportando a ele). Mais ainda, qual foi o motivo de eu ter parado de escrever, simplesmente. Nunca sabia o que responder porque qualquer resposta que eu desse, ou qualquer justificativa, não seria digna de entendimento. O que me faz pensar: a escrita é algo nato nas pessoas ou é simplesmente um exercício técnico que vamos aperfeicoando ao longo de nossas experiências?

Pode parecer coisa de jornalista frustrado (não deixa de ser, na verdade), mas quem é que tem a sede de escrever e não encontra ânimo? Todos nós passamos por fases - de abundância, de pauperismo - e em algumas épocas nos sentimos mais ou menos aptos à escrita. Não é simplesmente pegar um pedaco de papel (ou, neste caso, sentar a bunda em uma cadeira em frente à tela do computador) e uma caneta e comecar a escrever do nada. Nada sairá. Inspiracão? Não creio que seja. Ainda descubro o que é.

Fato é que parei de escrever porque não tive saco de continuar uma periodicidade. Não conseguia manter um ritmo adequado e havia comecado a trabalhar naquilo que eu pensei que eu gostasse - uma locadora! - sem saber que, na verdade, aquilo era um  antro de malucos, de seres humanos sedentos de ganância e prontos a enxergarem apenas os defeitos alheios (é engracado como, em situacões-limite, as pessoas tendem a somente entender aquilo que lhes convém. Natural dos seres humanos, né? Prefiro acreditar que sim). Vejam bem, não cuspo no prato que comi, mas com certeza o prato estava rachado. O engracado é que devido à experiência - de responsabilidade, de pontualidade - eu desenvolvi uma série de neuras e ainda me questionei se o problema sou sempre eu (não, já me provaram que não sou eu o problema).

Daí, depois de três meses engolindo sapos que não eram meus e fazendo algo que até um macaco treinado faria (contar dinheiro, ser educado e gentil quando na verdade você quer mesmo é esmurrar alguém) eu pulei fora e fui cuidar da minha vida... acadêmica, de novo. Pois vejam bem, último ano de faculdade, trabalhos, estágios e... tato social. É. O que é a vida senão um eterno tato social? Quem não o possui, que aprenda, pois. Comecei a enxergar a realidade como ela mais ou menos é: a não ser que você almeje uma coisa somente sua e tenha cacique para bancá-la, a sua vida será sempre pautada na do outro. Ou melhor, a gente sempre terá um chefe que por sua vez responderá a alguém maior e este círculo vicioso nunca se fechará. Dentro do jornalismo, e dentro de todas as esferas de trabalho no Brasil, o fato é que somos treinados desde pequenos a obedecer e a agradecer o salário (qual?) nosso de cada dia.

E lidar com as pessoas é algo que a gente aprende na marra. Eu estou aprendendo todos os dias. E você?

Nenhum comentário: